By Fabiana Parreira de Oliveira | April 08, 2022
Para iniciarmos o estudo do conceito de competência cultural, partimos de uma reflexão proposta por Gracia Bareti em sua apresentação “Education System x Cultural Competence”, no TEDxDirigo, realizada em novembro de 2019 (ao lado). Relembre alguns momentos da fala dela:
“My Rwandan and Congolese culture is a component in my identity and my family’s identity, and it has norms that I’ve been able to differentiate (...)”
“One often feels their two-ness: an American, a Negro. Two souls, two thoughts, two warring ideas in one dark body.”
“Constantly having to advocate for all parts of my identity.”
“To me, it’s like saying your identity and culture is not important enough to be taught within the school.”
“It was to make a point that our education system is failing us. People are making opinions without knowing the facts. People are made to feel not safe with who they are. People are not listening to the differing perspectives.”
Os componentes da Competência Cultural
Ao iniciarmos nossos estudos sobre a competência cultural, conhecemos um modelo visual (ao lado), segundo o qual tal competência é composta por 5 elementos de base.
1. Open Attitude [Atitude de abertura]: Implica ter “espírito de curiosidade” sobre si mesmo e sobre os outros. Mas, calma! Não se trata aqui de se tornar o Sr. ou Sra. Fifi. Trata-se de ter abertura para aprender sobre si e sobre o outro. O primeiro passo é reconhecer que não sabemos tudo e que, portanto, precisamos estar prontos e aptos para receber novas informações e construir novos saberes com a mente aberta. Trata-se de estar preparado para se expor à diversidade de ideias, perspectivas e pontos de vista que sejam diferentes dos seus próprios.
2. Self-awareness [Autoconsciência]: Conhecer a si mesmo e ter ciência de suas próprias crenças e formas de pensamento possibilita que você reconheça e reflita sobre os “porquês” inconscientes que te fazem pensar, agir e se relacionar com o mundo da forma como você faz. A autoconsciência permite que o sujeito identifique suas particularidades, sejam elas forças ou limitações, e compreenda que esses elementos particulares estão intrinsecamente relacionados à construção de sua individualidade, em meio a um contexto de coletividade. Desenvolver a autoconsciência é compreender como nossas ações afetam o outro e o meio em que vivemos.
3. Awareness of others [Consciência em relação ao outro]: Quando reconhecemos que somos seres individuais, construídos com base em nossa própria cultura, é preciso que reconheçamos também que os outros seres também se constituem de uma individualidade que, por muitas vezes, é discrepantemente divergente da nossa. Ter consciência do outro implica, assim, reconhecer que cada indivíduo carrega um arcabouço de ideias, crenças e visões, por exemplo, que se justificam e se embasam de forma particular, diferente, individual (cultural humility → humildade cultural). Ou seja, é compreender, conforme nos ensina o filósofo Leonardo Boff (em "A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana"), que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”.
4. Cultural knowledge [Conhecimento cultural]: Se desenvolvemos autoconsciência, criamos possibilidades para termos consciência em relação ao outro. Em outras palavras, reconhecer que não sabemos tudo e que o que sabemos é constituído pelos saberes do outro, consigo compreender as oportunidades de enriquecer meus próprios conhecimentos (minha própria “cultura”) por meio do que a cultura do outro me agrega.
5. Cultural skills [Habilidades culturais]: Implica ter capacidade para ajustar nossas interações com base no conhecimento que construímos sobre o outro e sobre o mundo ao redor. Desenvolver habilidades culturais pode permitir que tenhamos um engajamento mais autêntico junto a outros indivíduos e culturas.