By Fabiana Parreira de Oliveira | April 06, 2022
Você já pensou se existe alguma relação entre o ensino de línguas estrangeiras e a exclusão social? Se existe, quem ou qual público estaria sendo excluído socialmente? E a BNCC, tal como estruturada para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental (em especial para os Anos Iniciais), estaria de alguma forma contribuindo para essa exclusão social?
Na perspectiva apresentada por pesquisadoras como Tonelli (2005)1 e Magiolo (2019)2, dentre tantos outros, se não há garantia da oferta do ensino de línguas estrangeiras para todos, configura-se uma exclusão social a determinada parcela da população. Se pensarmos no contexto da educação pública no Brasil, não houve ainda interesse da esferas federal e estadual em implementar políticas públicas para garantir a oferta de ensino de língua inglesa para crianças (LIC), fato observado na omissão da BNCC e do Currículo Paulista quanto a oferecer orientações curriculares de LIC para a Educação Infantil e para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Essa omissão reflete negativamente no setor público educacional:
(...) o caráter não obrigatório do ensino de línguas nas séries iniciais do Ensino Fundamental brasileiro deve ser visto como um potente gerador dos problemas que afligem a área, uma vez que, entre outros fatores, sustenta a relação de exclusão imposta a alunos de classes menos favorecidas, no que tange ao direito a esse conhecimento (ROCHA, 2008, p. 436; grifo nosso).
Embora por um lado haja a omissão de políticas públicas federais e estaduais para amparar a oferta de LIC, por outro observamos que essa oferta já é realidade em muitos municípios do país, como é o nosso caso. Então, cabe aos currículos municipais suprir as lacunas deixadas pelas esferas governamentais superiores.
Em nosso município, já iniciamos o processo de construção curricular, com vistas a respaldar uma realidade que já ocorre na prática. E, para que esse processo se dê de forma adequada, é necessário realizarmos algumas indagações, tais como:
❖ Qual é a visão de ensino de línguas que pretendemos desenvolver?
❖Qual o conceito de língua subjacente ao ensino de Inglês previsto pelas mais diversas abordagens que já conhecemos (estruturalista ou comunicativa, por exemplo)?
❖Como analisar a concepção de língua da BNCC e, por conseguinte, compreender o que se espera do ensino na rede pública?
❖ Quais são os pressupostos para o ensino de Inglês apontados pela BNCC?
As três implicações da visão de língua e ensino da BNCC
Em seguida, o texto de apresentação da Língua Inglesa na BNCC afirma que ter como finalidade do ensino de inglês um caráter formativo e uma perspectiva de educação linguística acarreta três importantes consequências:
1. É preciso rever as relações entre língua, território e cultura. [Língua franca]
2. É preciso letrar os alunos nas multimodalidades/multissemioses textuais [Multiletramentos]
3. É preciso refletir sobre as abordagens de ensino e suas crenças [Competência cultural]
Referências
TONELLI, J. R. A. Histórias infantis no ensino da língua inglesa para crianças. 2005. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2005.
MAGIOLO, G. M. O efeito borboleta das políticas públicas de implementação de ensino de língua inglesa para crianças: o livro didático e o acolhimento do aluno nas escolas estaduais. 2019. Monografia (Especialização em Ensino de Línguas Estrangeiras) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2019.
ROCHA, C. H. O ensino de LE (inglês) para crianças do ensino fundamental público na transdisciplinaridade da linguística aplicada. In: Revista do SETA. ISSN 1981-9153, 2, 2008.
Para saber mais sobre conceitos importantes como a "Educação Linguística", consulte os estudos desenvolvidos pelo Grupo de Pesquisa FELICE/CNPq, clicando aqui. Conheça algumas das professoras-pesquisadoras do grupo FELICE.
Juliana Reichert Assunção Tonelli, líder do Grupo de Pesquisa FELICE/CNPq.
Claudia Jotto Kawachi Furlan
Giuliana Castro Brossi Lopes
Gabrielli Martins Magiolo